Saturday, 31 December 2011

Frankensteins

Estou munida agora de um sentimento de felicidade serena. Porque entendo, pela centesima vez, mas de modo novo, o que eu estou fazendo aqui. Falo da minha tentativa de produzir materia tateavel, de coisificar meu entendimento do mundo, atraves da escrita: esse paradoxo de liberdade. Porque criar eh dar vazao, fazer existir, mas existir de modo manco. De um modo que ainda nao eh e nem nunca vai ser. 
A coisa criada nos enreda em sua forma, na sua existencia incompleta, reveladora despudorada das nossas limitacoes. A palavra eh entao um meio, um instrumento que carrega a consciencia dessa limitacao, ao mesmo tempo em que deflagra a premencia de continuidade. Seu carater transmutavel, nao-definitivo, eh um convite ao proximo texto. O que revela a beleza da inocencia de tentar. Uma inocencia que nao eh estupida, mas lucida, forte. Vontade de criacao, onde habita o que se chama de esperanca, de fe, ou quem sabe, de Deus.
A criatura eh a materializacao dessa esperanca, a reiteracao de que vale a pena continuar buscando. 


Friday, 16 December 2011

Patterns

Preciso da linearidade da narrativa, do horario das refeicoes. Da minha mae solteira. Contracheque.
Do conforto da tradicao. Ave maria das 6, um nome do pai.
Docura, pra entender de bom grado a normalidade das coisas.
Portanto, desconstroi. Mas aos poucos. Pra que eu possa me apoiar, pequena, na demora desse tempo.
Enquanto reconstruo, com materia amorfa, alguma coisa pra chamar de Eu.