Estou munida agora de um sentimento de felicidade serena. Porque entendo, pela centesima vez, mas de modo novo, o que eu estou fazendo aqui. Falo da minha tentativa de produzir materia tateavel, de coisificar meu entendimento do mundo, atraves da escrita: esse paradoxo de liberdade. Porque criar eh dar vazao, fazer existir, mas existir de modo manco. De um modo que ainda nao eh e nem nunca vai ser.
A coisa criada nos enreda em sua forma, na sua existencia incompleta, reveladora despudorada das nossas limitacoes. A palavra eh entao um meio, um instrumento que carrega a consciencia dessa limitacao, ao mesmo tempo em que deflagra a premencia de continuidade. Seu carater transmutavel, nao-definitivo, eh um convite ao proximo texto. O que revela a beleza da inocencia de tentar. Uma inocencia que nao eh estupida, mas lucida, forte. Vontade de criacao, onde habita o que se chama de esperanca, de fe, ou quem sabe, de Deus.
A criatura eh a materializacao dessa esperanca, a reiteracao de que vale a pena continuar buscando.
A criatura eh a materializacao dessa esperanca, a reiteracao de que vale a pena continuar buscando.
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