Saturday, 18 September 2010

Se por um lado desprezava a gana do homem de nao ser bicho, que sentido se debrucar nesse amontoado de palavras? Nuca inclinada, olhos nervosos, buscando. Ja havia vivido suficiente pra entender o vai e vem das descobertas - re e re-descobertas de tempo em tempo. E, no frigir dos ovos, conseguia viver so de be-a-ba. Entao por que a insistencia? Suspeitava que isso estava ate distorcendo habilidades que supostamente deveria ter masterizado ha tempos, como falar coisas inteligiveis, por exemplo. Colocava uma palavra na frente da outra, e o franzir das testas cordialmente sugeriam que, talvez, estivesse falando outras linguas ou intercalando pausas truncadas. Metamorfose inacabada, meio homem, meio bicho - esfinge, deitando enigmas que ninguem quer decifrar, por falta de saco, ou de outras coisas. Excesso de opcoes nunca lhe pareceu algo bom. Que remedio, senao o agora e que saida, senao entrar aqui.

Saturday, 4 September 2010

Wednesday, 1 September 2010

Fazia assim um exercicio de distanciar-se. Estando ali, afastava-se do momento pra o conceber por inteiro, desconstruindo-o... Tocava-o com novidade, para entao conhecer a si mesmo. E olhando de longe, era agora um terceiro, em tumulto. No exercicio de nao ser mais e nao ser ainda, caminhava em chao vacilante - onde podia crescer, sabia, mas isso ainda nao lhe dizia tudo. Assim, decidia de novo aproximar-se, ate perder o foco. Porque as vezes, carece-se de poeira nos olhos. E pra amar, virar-se, de leve, as proprias costas.