Cada elemento, todos eles, ou a sua ausência, os lugares comuns, justapostos de maneira cautelosa, de forma que as cores, os traços, os panos e o suposto desleixo com que caem sobre a pele pareçam verdadeiros. As cascas do esmalte vermelho que arranca entre dentadas e cuspidinhas nervosas, constrastam com a delicadeza plástica da flor que usa para enfeitar o cabelo amarelo-fosco. Os gestos rabiscam simétricos o convite aconchegante de uma forma que se re-conheca de pronto, por pura ou ingénua vontade de verdade. No espelho, um olhar tatea dúbio o não-ser que ali se forma, como se por fim condenasse o ato chulo de se constituir entre uma negação e outra. Gotas espalmadas de uma essência num frasco rosa, o batom, ombros a mostra - um sapato - completam o corte.