Falo dessa parte que transborda. Dos filetes que escorrem grossos entre a frouxidão de seus dedos. Não me refiro a tepidez de seus dedos para sugerir sua culpa. Sei que no trajeto entre nossos corpos, há de se caber o que é meu, mas também o que é seu. Doses moderadas deixam vazios, preenchidos a revelia das circunstancias, sempre muito maiores que eu. Às vezes, ignorados, como ignorada a história daquilo que segura de modo displicente. Não menciono o descuidado de suas mãos para sugerir despreparo. Entendo que nessa simbiose, a firmeza das mãos denuncia o desenrolar de nossas escolhas, deliberadas ou acidentais, algumas quase fatídicas, dentro da epopéia das nossas vidas. Falo da impossibilidade entre aquilo que te ofereço e aquilo que espera de mim. Do que de mim, em suas mãos, se transforma em excesso. Falo das sobras.
No comments:
Post a Comment