A felicidade podia sim ser so mais uma peca que os homens que inventam o mundo querem pregar na gente. Sendo assim, decidiu que podia ela mesma inventar uma idea propria de felicidade, de modo que nem sempre ria, quando os outros riam, ou chorava, quando os outros choravam. Nem sempre o desejo ditava o gesto, o gesto explicava a palavra, e muitas vezes, ficava so na reticencia mesmo, sem querer sugerir nada.Tambem achou conveniente despir-se de certos ensinamentos, que, segundo agora julgava, talhavam sua capacidade de perceber os acontecimentos de forma mais genuina. Era agora mais fiel ao que sentia, embora isso nunca tenha lhe ajudado a saber o que sentia. Preocupada, assim, em sentir, perdeu a pressa em julgar. No meio tempo, nesse, que antecede o julgamento, tinha medo de parar de desejar de vez e pra sempre (o que temia, na verdade, era se tornar alguma coisa monstruosa). Entao, as vezes, lhe fazia bem ouvir o som da propria risada, ainda que seca, ainda que humana, apenas. Fazia tambem cara de surpresa, enrugava a testa pra mostrar interesse numa conversa, sombracelha apontando pra baixo quando o assunto exigia indignacao, e muitos suspiros, pra falar do tempo e de como nao queria isso ou aquilo, mas uma outra coisa qualquer. Mas nao era sempre que fazia esse esforco de pertencimento e vez ou outra, acabava so novamente. De modo que assim, sem caber em lugar nenhum, continuava nao feliz.
Nem por isso, porem, achava que devia voltar atras.
Muito tempo passou. De vez em quando, olhava para o alto, sem saber se sua condicao a havia reduzido a um estado primitivo ou a um outro que transcedesse tudo. Invariavelmente concluia que nao importava. Alias, conclusoes tinham deixado ja, ha muito tempo, de carregar novidades.
Ate que um dia tomou uma decisao e chegou a uma conclusao nova...
Nem por isso, porem, achava que devia voltar atras.
Muito tempo passou. De vez em quando, olhava para o alto, sem saber se sua condicao a havia reduzido a um estado primitivo ou a um outro que transcedesse tudo. Invariavelmente concluia que nao importava. Alias, conclusoes tinham deixado ja, ha muito tempo, de carregar novidades.
Ate que um dia tomou uma decisao e chegou a uma conclusao nova...
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