Se por um lado desprezava a gana do homem de nao ser bicho, que sentido se debrucar nesse amontoado de palavras? Nuca inclinada, olhos nervosos, buscando. Ja havia vivido suficiente pra entender o vai e vem das descobertas - re e re-descobertas de tempo em tempo. E, no frigir dos ovos, conseguia viver so de be-a-ba. Entao por que a insistencia? Suspeitava que isso estava ate distorcendo habilidades que supostamente deveria ter masterizado ha tempos, como falar coisas inteligiveis, por exemplo. Colocava uma palavra na frente da outra, e o franzir das testas cordialmente sugeriam que, talvez, estivesse falando outras linguas ou intercalando pausas truncadas. Metamorfose inacabada, meio homem, meio bicho - esfinge, deitando enigmas que ninguem quer decifrar, por falta de saco, ou de outras coisas. Excesso de opcoes nunca lhe pareceu algo bom. Que remedio, senao o agora e que saida, senao entrar aqui.
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