Thursday, 1 October 2009

Cronica publicada Brazilian News


Essa coisa de quantificar tudo acaba reduzindo a gente. Suponho que não seja disso que Bob Dylan fala com tantos "how manies" na sua canção, mas o que quero dizer e que acredito que temos uma forma desastrada (desastrosa?) de lidar com o tempo, tentando coloca-lo em nossos relógios e agendas. A gente usa tempo, a gente diz que o tem ou que nao o tem, e com a autoridade dos que não perdem tempo o chamamos ate de dinheiro. Nunca soubemos mesmo lidar com a nossa condição finita e acabamos enfiando guela abaixo tudo que alguém um dia disse que significava "aproveitar a vida". Gasta-la ao máximo e depois jogar o bagaço fora, chupar ate o caroço e nesse caso, guarda-lo, porque ele eh a prova da historia que vai ser contada pros netinhos no final, se eles tiverem tempo de ouvir, claro. O final, alias, também eh jeito de entender o tempo, que a gente não sabe se termina de fato, ou se começa de novo, enfim.
Observar o uso que se faz da internet eh uma forma interessante de analisar como se constroi hoje essa nossa relação com o tempo. Outro dia mesmo, assistindo a televisão, alguém falou de um tal de twitter, alguma coisa de carater pessoal, que as pessoas, inclusive famosas, tinham. Logo depois li umas linhas sobre o nascimento de uma nova forma de revolução, de protesto através internet e lah estava o twitter de novo - eu me lembro que, com aquela resistência dos obsoletos do século XXI, eu pensava alguma coisa do tipo "lah vem mais uma". Quando decidi entender o que era isso, constatei que o negocio não vinha coisa nenhuma, ja tinha vindo, e ja estava sendo avidamente usado por milhares de pessoas no mundo inteiro, dando inclusive pano pra muitas mangas. Tive que concordar com alguem que disse que eh assim que a gente percebe que se esta ficando velho, quando o tempo comeca a correr demais pra ser assimilado por nos (e quando se contenta em usar apenas 20% dos recursos do nosso celular...).Confesso que ainda não assimilei o twitter, talvez porque o alimento que eu tenho vai matar o bichinho de infecção e tédio.
Mas o negocio parece mesmo ser bom porque, alem de poder fomentar revolucoes cibernéticas, através dele fico sabendo, por exemplo, que a mariazinha cortou o cabelo igual a Lady GaGa, que o joazinho esta em Londres, que a cor preferida de fulano eh azul, que beltrano quebrou o carro, que sicrano esta viciado em jogos de internet, ou seja, que todo mundo esta aproveitando muito bem a vida e nos mantendo informados sobre isso.
E penso que tudo isso deve ser bom, realmente. Deve ser bom porque são esses espaços de my spaces(!), de twitters, orkuts, facebooks, emails, blogs que acabam escancarando sem pudor essa nossa carência de existir e de sermos vistos por quem quer que seja. São esses espaços que nos salvam quando jah não há tempo no nosso mundinho real pra sermos o que somos - para sermos sobretudo. E ainda que nos ouçam apenas os mosquitos e fantasmas, eh sempre bom reconhecer as nossas fraquezas, no melhor sentido da palavra. E bom reconhecer que, no final,todos nos precisamos de show off.

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