Monday, 31 August 2009

O que viu na agua foi uma figura disforme. O primeiro impulso foi o de se agarrar a qualquer coisa essencialmente simples. Segurou aquela mão com forca e se deixou levar pra bem longe de si. Perguntou pra que escrevia? Disse que era pra tentar entender as coisas. Riu com toda a ironia que lhe foi possível. Pegou uma pagina, bocejou, largou de lado. E quando depois de olhar pro nada, como se meditasse, achou que fosse dizer, se levantou, comeu um doce e pediu pra ir embora. Lhe deu a mão, um pedaço do doce. Andaram calados. Seguiu com os olhos o cabelo azul do menino que passou ao lado. Quando chegaram, percebeu o movimento do seu corpo. Envolveu-lhe com seu braço e pediu calma. Deixou sua voz lhe abafar o pensamento. De novo, fugiu.

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