Foi de bruços que eu descobri que andava raso, tocando de leve os cantos e as frestas. Vazio vindo de longe, não tão longe que não possa dizer. Eu sei o que tem aí. Esse sobe e desce talhado de ressentimento e mediocridade, essa oscilação de grandeza, que nunca existiu e de onde eu achava que conhecia. Suas cadências e contornos, esses hiatos. De repente dói onde não doía antes e razões novas vêm à noite, sua hora preferida, me deixar estatelada no teto branco e receptivo de sempre. Eu conheço esse círculo, conheço essa nuances, não é por tolice. É por falta de cor, como quando a gente escorrega no lodo da pedra do riacho, e é acolhido por um sorriso que entorpece e delicia o tosco de tudo isso. A gente machuca, a gente ri daquele sangue vermelho, vivo. Depois levanta espanando tudo, roupa, riso, sangue, água, pedra. Via beleza naquelas linhas do meio que julgava terem sido postas ali, só pra mim. Eu podia sentir o doce, feito algodão, sutil e absoluto, galgando rápido rumo aquela amargura toda. É tarde demais agora. E eu não gosto de olhar pra mim assim.
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